Os meus olhos e o meu silêncio demonstravam o medo que eu
sentia. Quando eu me olhava no espelho, dava pra perceber (ainda dá, na verdade) as marcas
que o tempo fez, os sonhos que eu acabei deixando pra trás... Eu dei muitos passos
desatentos às consequências,
já corri muito em busca de uma paz que eu não conseguia encontrar, me quebrei
toda por dentro, cheguei a um ponto que não sabia se aguentaria um tombo a mais.
Se antes de fazer tudo que eu fiz, eu soubesse as
consequências, soubesse no que as minhas escolhas resultariam, sei que hoje as
minhas cicatrizes seriam outras, na verdade não seriam cicatrizes. Mas o que eu
aprendi a cada tombo, a cada dor vivida por mim pode até não mudar o que eu passei,
mas me revela o que virá
no fim.
Porque cada dor, causada muitas vezes por mim mesma, é curada
por um amor que não tem explicação. Um amor que me dá forças, me refaz a cada dia. Um amor que me traz
uma paz, uma calma que o medo não me deixava sentir. As marcas que o tempo me
fez ainda estão aqui, ainda são perceptíveis, mas hoje elas tem outro significado:
o meu caminho até Cristo.